Menu Filtro

Treinando à noite

Correr em trilha à noite é possível? Sem a menor dúvida! Contanto, há alguns cuidados a serem tomados e algum planejamento a ser realizado antes de se aventurar a treinar em uma trilha à noite para evitar problemas.

Lembre-se que correr em trilha possui alguns riscos e, embora correr no asfalto à noite seja quase a mesma coisa que correr no asfalto durante o dia, correr em trilha à noite apresenta muito mais riscos em função da ausência de iluminação artificial (que frequentemente existe nas cidades) e também pela menor iluminação natural em função da vegetação, ou seja, é muito mais escuro na trilha à noite do que no ambiente urbano mesmo na ausência de iluminação artificial.

Ok, é mais escuro na trilha, e daí? Daí que os riscos que já fazem parte de corrida em trilha se potencializam, ou seja, a possibilidade de eles acontecerem se torna maior pois o seu campo de visão fica mais limitado. O risco de você tropeçar, cair, bater a cabeça em uma árvore ou tronco caído, encontrar uma serpente ou se perder, ficam maiores. A sua percepção dos obstáculos no chão muda em função da iluminação, o seu foco será mais no chão e menos no ambiente de forma geral e o seu tempo de reação a algum tipo de obstáculo será menor pois você só irá percebê-lo quando estiver muito próximo.

Mas calma, não estou dizendo que você não deve treinar em trilhas à noite, mas eu recomendo alguns cuidados abaixo para você levar em consideração antes de escolher a trilha para o treino noturno:

Trilha: dê preferência para correr em trilhas já conhecidas e que sejam mais amplas. Assim você evita se perder (acredite, bifurcações se tornam muito menos óbvias no escuro, especialmente quando você está focado em não tropeçar e cair) e possui melhor visibilidade do percurso, evitando também acidentes com quedas, acidentes com serpentes e reduzindo a possibilidade de bater a cabeça em algum tronco caído suspenso atravessando o percurso.

-Comunicação: dê preferência para trilhas com sinal de celular ou corra com algum tipo de localizador. Como a possibilidade de acidentes acaba sendo maior à noite, certifique-se de que você possui uma maneira de se comunicar e pedir ajuda se necessário. O sinal de celular também pode ser útil para lhe ajudar a voltar para casa caso você se perca na trilha utilizando algum recurso de mapas ou aplicativo de localização/rastreamento. Não esqueça de informar alguém sobre o seu roteiro pretendido e horário de retorno. Importante: se mudar de plano avise!

-Headlamp: faça uma boa pesquisa e adquira uma boa lanterna de cabeça. Atualmente a variedade de opções no mercado é bastante ampla e acessível. Dê preferência a lanternas com mais de um facho de luz (com alcances diferentes), boa durabilidade (diversas horas) e resistente à água. Correr com um farol na trilha não é o ideal para a fauna noturna mas uma headlamp com mais de um facho ou intensidade de luz permite que você amplie o alcance de sua visão quando necessário sem incomodar os animais desnecessariamente.

-Parceria: considere treinar com um parceiro. Com o maior risco de acidentes ter alguém pra ajudar pode não ser uma má ideia.

-Ritmo e atenção: lembre-se que além do maior risco de acidentes com quedas e colisões com troncos caídos, as trilhas tendem a ser mais úmidas mesmo sem chuva, mas especialmente em épocas de chuva. Diminua o ritmo para ter maior tempo de reação e evitar lesões ao escorregar em trechos de trilha mais lisos, que podem ser mais difíceis de identificar no escuro.

-Kit PS: e claro, leve sempre um kit PS (veja como montar um kit básico aqui). Mas esteja especialmente preparado para prevenir a hipotermia caso você tenha que passar a noite na trilha. Ter um cobertor de emergência/manta térmica e reservas de calorias podem lhe ajudar a passar menos aperto durante a noite. (Leia mais sobre a hipotermia aqui).

Bons treinos!

There are no responses so far.

Samanta Chu

Samanta Chu

Representante no Brasil e instrutora da Wilderness Medical Associates International (WMAI Brasil), ministra cursos no Brasil e no exterior desde 2011. Possui formação de Técnico de Emergências Médicas para Áreas Remotas (WEMT – EUA), é membro benfeitor do Grupo de Resgate em Montanha (Joinville, SC) e guia profissional conduzindo grupos em atividades outdoor diversas desde 2007.

Patrocínio

Apoio