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Uma corrida em que ninguém fica pra trás

Já parou para pensar o quanto vale um copo d’água e que o mesmo copo de água que te hidrata durante a corrida pode ter um valor completamente diferente dependendo da situação em que você se encontra? Imagine o custo para matar a sua sede em casa, no escritório, na praia, após uma maratona e no meio do deserto.

A escassez da água – exacerbada pela mudança climática e por desastres relacionados à água – pode causar tensões que podem se tornar conflitos violentos entre pessoas, comunidades e países.

O Dia Mundial da água deste ano tem como tema “não deixar ninguém pra trás”. Uma corrida onde não há vencedores, ou melhor, uma corrida de revezamento onde todos completam a prova juntos.

O que tem em comum a água, a cidade do Rio de Janeiro e os plásticos?

Em 1992 a cidade do Rio de Janeiro foi sede da 2a Conferência Global das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável – a famosa Eco-92 – um evento que marcou os debates sobre questões climáticas devido a presença maciça dos Chefes de Estado de inúmeros países e instituiu o Dia Mundial da Água que celebramos todos os anos no dia de hoje. O objetivo foi alertar a população mundial a cerca da importância da preservação hídrica para a sobrevivência de todos os ecossistemas do planeta. Novamente, 20 anos depois, a Rio+20 foi palco de um novo debate que foi a base da criação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) aprovados em 2015 com o objetivo de orientar políticas nacionais e as atividades de cooperação até 2030.

São 17 ODS e o ODS 6 é dedicado a ”assegurar a disponibilidade, a gestão sustentável da água e o saneamento para todos”.

Recentemente vimos a poluição plástica avançar pelos rios, mares e cobrir os oceanos com as chamadas “ilhas de plástico”. Isto é fruto da falta de cuidado da população e o despejo indevido do material após o uso. O plástico que nos traz tantas conveniências e praticidades no nosso dia se tornou o vilão da natureza quando vira resíduo. Principalmente os descartáveis.

Para isso, vale a reflexão: para onde vão os copos de água distribuídos aos corredores durante as corridas? E as garrafas e tampas espalhadas ao longo do percurso na praia da reserva que foram deixados para trás pelos 38.000 corredores na Maratona do Rio do ano passado e que foi motivo de discussão entre corredores e surfistas como Eric de Souza, filho do veterano dos mares Rico de Souza e Pedro Scooby.

Com toda a razão os surfistas destacaram o senso de urgência de repensarmos nossos hábitos e as consequências das conveniências do nosso dia-a-dia. Os resíduos plásticos contaminam as águas, causam a morte de animais marinhos e ainda contribuem para a geração de micro-plásticos que vão parar no fundo do mar e dentro dos peixes que comemos. Pesquisas já mostraram que inclusive as águas engarrafas e o sal de cozinha já contém micro plásticos. Não é a toa que a Assembléia Geral das Nações Unidas proclamou a década 2018-2028 como a Décadas Internacional para Ação, Água para o Desenvolvimento Sustentável.

Declaração Universal dos Direitos da água

O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.” (Artigo 4 da “Declaração Universal dos Direitos da Água”)

E quem é responsável pelos oceanos? O Oceano não tem dono, não tem gestão e portanto, quem vai limpar a bagunça agora? Em 2017 as Nações Unidas organizaram a 1a Conferência Global dos Oceanos com o intuito de discutir a governança dos mares e a questão de lixo marinho esteve presente. Os governos da Suécia e de Fiji foram co-organizadores e o ponto principal de destaque foi demonstrar que não existe lixo marinho, pois o chamado lixo marinho nasce na terra.

Precisamos repensar os nossos hábitos e costumes. Resultados da última Assembléia da ONU para o Meio Ambiente realizada semana passada em Nairobi no Quênia, destacou metas e compromissos para a gestão de produtos químicos e resíduos, produção e consumo sustentável, utilização eficiente de recursos e economia circular incluindo a redução do uso de certos produtos de pouca utilidade como alguns descartáveis plásticos.

Das boas práticas ao plogging

Corredores e organizadores de eventos tem que repensar suas práticas e costumes. A solução para o lixo é a não geração. Mas o que fazer com os resíduos que infelizmente encontram-se descartadas de forma inadequada e poluindo o meio ambiente? Uma sugestão vem da Suécia: a prática do plogging! A atividade, que consiste em recolher o lixo de ruas e trilhas enquanto você corre, nasceu no país e se espalhou pelo mundo por meio da hashtag #Plogging no Instagram.

Sendo assim, em homenagem ao Dia Mundial da Água nos unimos a Embaixada da Suécia para estender o escopo do plogging que realizamos na Virada Sustentável no ano passado em Niterói com o apoio da Ball, CamelBak, FF Sports e o Projeto Grael e o objetivo agora é levar esta prática para várias cidades do Brasil unindo corredores a surfistas, ambientalistas a atletas, levando a sociedade em geral a uma corrida pela água e pelo meio ambiente.

“De fato, o plogging é uma atividade integradora e sustentável, e pode ser introduzido na rotina de cada um de nós. Foi incrível ver o impacto nos olhos dos nossos alunos quando contabilizamos mais de 20 sacos de resíduos coletados pela areia da praia e pela rua principal do bairro em apenas 30 minutos de treino. A experiência foi tão interessante que resolvemos levar a mensagem para outros clubes de vela espalhados pelo Brasil e vamos, neste grande plogging nacional, conectar a limpeza na terra com a limpeza no mar.” Thiago Marques, Coordenador do Instituto Rumo Náutico e Projeto Grael.

Esta união de esforços junto a parceria Brasil – Suécia visa fortalecer a mensagem da importância da proteção do meio ambiente e inspirar um número maior de pessoas.

“Para nós da Suécia é um grande orgulho ver que uma ação individual, que nasceu há cerca de 2 anos com o sueco Erik Ahlström, tenha se espalhado pelo mundo com a ajuda das redes sociais”, afirma Per-Arne Hjelmborn, Embaixador da Suécia no Brasil. “Estamos muito felizes por agora poder trabalhar com parceiros locais para disseminar o conceito no Brasil e aumentar o alcance da iniciativa”, completa.

“ Estamos muito felizes em transformar o CamelBak Training Day, uma atividade que realizamos a 3 anos e que já reuniu mais de 120 assessoriais esportivas e 5.000 corredores em uma só corrida, no CamelBak Plogging Day que vai levar uma importante mensagem sobre a poluição plástica, a necessidade de avaliamos nossos hábitos e sermos responsáveis pela sustentabilidade do nosso planeta, uma mensagem que está muito alinhada ao propósito da nossa marca” destaca Pedro Lacaz Amaral, representante oficial da marca CamelBak no Brasil.

E com isso, aproveitamos para convidar a todos para vir conosco e parabenizar os organizadores do circuito Indomit, Bombinhas Adventure Runners que tomaram uma série de medidas para não deixar rastros de sujeira nas trilhas por onde passam seus atletas e a Endurance Sports Amazonas que com o Projeto Endurance Corrida Limpa instalou latas de lixo ao longo do percurso para que os corredores não jogassem os copos no chão.

Vamos nos unir pela água, pela dignidade de todos, pela nossa saúde e a saúde do nosso planeta.

Aguardem mais informações em breve sobre nosso grande plogging que será realizado em Setembro 2019 espalhados por várias cidades do Brasil.

 

Referências:

https://www.worldwaterday.org/theme/

http://www.maratonadorio.com.br/com-numeros-impressionantes-maratona-do-rio-recebera-38-mil-pessoas-no-rio-de-janeiro/

http://www.un.org/en/events/waterday/background.shtml

https://www.acritica.com/channels/esportes/news/projeto-endurance-corrida-limpa-incentiva-atletas-a-se-hidratarem-sem-sujar-as-ruas

https://jc.ne10.uol.com.br/blogs/vidafit/2018/06/04/surfista-reclama-de-atletas-da-maratona-do-rio-galera-porca-pra-c/

https://vejario.abril.com.br/cidades/lixo-de-maratona-detona-guerra-entre-corredores-e-surfistas/

https://oceanconference.un.org/about

 

 

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Beatriz Luz

Beatriz Luz

Engenheira Química com 10 anos de experiência internacional. Especialista em sustentabilidade estratégica e economia circular. Através de sua consultoria Exchange4Change Brasil auxilia empresas a repensarem seus produtos/serviços, avaliar novos modelos de negócio e ganhar diferencial competitivo com o mind set circular. Já trouxe ao Brasil eventos pioneiros e promoveu trocas de conhecimento com especialistas holandeses, britânicos e portugueses visando a co-criação e adaptação de soluções globais para a realidade brasileira.

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