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Objetos empalados, o que fazer?

Um belo dia você está curtindo a corrida na crista de uma montanha quando, ao iniciar a descida, você perde o controle e acaba rolando montanha abaixo por diversos metros. Antes de
levantar e sair correndo novamente é recomendável você respirar fundo e fazer uma avaliação pós-queda.

Durante a avaliação verifique que lesões você pode ter sofrido:

– abrasões, cortes e outras feridas de pele (veja como administrá-las)
– possivelmente trauma na cabeça e eventualmente uma lesão importante no cérebro (leia sobre
lesão na cabeça);
– possivelmente alguma lesão musculoesquelética, como lesões articulares ou fraturas;
– algum tipo de empalamento.

Empalamento?? Sim, isso mesmo. Você pode ter um objeto empalado (o mesmo que espetado, encravado), no seu corpo. Uma cena não muito comum e tampouco agradável mas certamente
possível, especialmente em quedas descontroladas como a queda descrita acima. O que fazer neste caso?

Cada situação necessita ser avaliada de forma independente, mas via de regra contanto que:

– o objeto esteja empalado nos membros (mãos, braços, pés ou pernas, principalmente perna inferior);
– o objeto seja relativamente liso e reto (um pedaço de galho liso e reto);
– o objeto não aparente estar empalado muito profundamente;

é seguro tentar removê-lo. Tentar, pois a remoção não deveria exigir muita força e o objeto deve sair com facilidade. Caso haja resistência ou o objeto esteja empalado no tronco ou na cabeça
do paciente, o melhor é tentar estabilizá-lo no local e remover o paciente ou acionar o resgate.

Mas sempre ouvi dizer que não se deve mexer em objetos empalados! Em nossa visão no contexto de áreas remotas, o benefício de remover o objeto, efetuar a limpeza da ferida, controlar
a hemorragia e agilizar a evacuação para o atendimento médico são muito maiores do que o risco de realizar a evacuação com o objeto empalado; é difícil estabilizá-lo no local, difícil
transportar o paciente, eventuais movimentações do objeto podem agravar a lesão causando mais dor e, como a evacuação se torna muito mais lenta, o risco de uma infecção se desenvolver
aumenta. Objetos que não puderam ser removidos com facilidade, que podem ter afetado órgãos importantes ou causar hemorragia difícil de controlar deverão ser avaliados por profissionais no
ambiente hospitalar.

Optar por remover um objeto empalado deve ser uma decisão que faz sentido para você. Na dúvida, estabilize o objeto no local e organize a evacuação de acordo com o recursos disponíveis. Caso você opte pela remoção, tenha em mente que haverá um aumento de sangramento tão logo o objeto seja removido, faça um planejamento e tenha o seu kit PS à mão na hora de realizar o procedimento. Um bom planejamento pré-atividade com os materiais, contatos e recursos necessários pode facilitar muito a sua vida em uma situação como essa!

Bons treinos!

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Samanta Chu

Representante no Brasil e instrutora da Wilderness Medical Associates International (WMAI Brasil), ministra cursos no Brasil e no exterior desde 2011. Possui formação de Técnico de Emergências Médicas para Áreas Remotas (WEMT – EUA), é membro benfeitor do Grupo de Resgate em Montanha (Joinville, SC) e guia profissional conduzindo grupos em atividades outdoor diversas desde 2007.

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