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Entrevista com o Ortopedista

O Dr. Roberto Nahon é um amigo de longa data. Conheci ainda moleque, quando veio ser nosso atleta no time de volei.

Logo depois, come√ßou a remar e n√£o parou mais. Inclusive, j√° fui assistir v√°rias ‚Äúessa vai ser a minha √ļltima regata‚ÄĚ.

Se transformou em um excelente ortopedista e conseguiu juntar sua paixão pelos esportes com sua profissão. Um breve currículo para terem uma ideia…

-Ortopedista, Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT) e Membro Titular e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME);

-Chefe médico do COB;

-Foi membro do Comitê Médico da Panamericana de Triathlon (PATCO);

-Membro médico do Comitê Paralímpico da Federação Internacional de Remo (FISA);

-Doutorando em Neurociências com ênfase em bioquímica, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro;

-Mestre em Clínica Médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);

-Especialização em Medicina do Exercício e do Esporte;

-Graduação em Medicina pela Universidade Federal Fluminense.

Nahon, como j√° contei em outra ocasi√£o, veio fazer meu apoio em uma Ultramaratona, se amarrou no esporte e vem correndo longas dist√Ęncias desde ent√£o.

Aproveitamos todas essas experiências para fazermos algumas perguntas sobre uma questão que incomoda tanta gente e certamente afetará cada vez mais pessoas por nossos maus hábitos diários: D O R    L O M B A R

 

  • Quais s√£o as doen√ßas/problemas mais comuns que geram a dor lombar?

 

Nahon: ‚ÄúA dor lombar √© tamb√©m conhecida como Lombalgia, Lombociatalgia, Ciatalgia, e mais um grande n√ļmero de nomes que se confundem para um mesmo quadro.

Tais nomes s√£o recorrentes no dia-a-dia visto que esta √© uma das causas mais freq√ľentes de atendimento m√©dico (ortop√©dico principalmente) e de fisioterapia.

A Lombalgia não é uma doença e sim um sintoma. A grande quantidade de nomes se dá por características diferentes para cada um dos quadros de dor. Uma maneira fácil de separar os diferentes tipos de dor lombar pode ser separando a que se limita a região lombar ou a que irradia para um ou ambos os membros inferiores.

Para o segundo caso (com irradia√ß√£o) as les√Ķes nos discos intervertebrais s√£o a causa mais comum. Tal les√£o no disco causa uma irrita√ß√£o dos nervos (v√°rios mecanismos causam isto, mas a compress√£o mec√Ęnica por h√©rnia ou protrus√£o juntamente com a resposta inflamat√≥ria no local s√£o as causas mais freq√ľentes) que saem da medula espinhal para os membros inferiores.

J√° para a dor que se restringe a √°rea lombar pode ser causada pelo mesmo mecanismo anterior e tamb√©m por outros, como a les√£o da pr√≥pria coluna e seus pilares, incluindo o estresse dos ligamentos. √Č importante lembrar que a les√£o do disco vertebral, mesmo que n√£o cause uma compress√£o em uma raiz nervosa, pode causar a dor lombar.‚ÄĚ

 

  • Quais s√£o as causas mais comuns destes problemas citados acima? Gen√©tica, exerc√≠cios f√≠sicos em excesso, m√° postura, idade?

 

Nahon: ‚ÄúSempre √© relevante destacarmos que caracter√≠sticas familiares s√£o um marcador importante para a presen√ßa de qualquer doen√ßa. Neste caso destacamos as dores lombares associadas a doen√ßas. Todavia, a falta de musculatura do CORE est√° relacionada diretamente possibilidade de incid√™ncia de dor lombar mesmo para quem n√£o tenha uma doen√ßa definida. √Č importante lembrarmos que, como quase todas as atividades, n√£o √© qualquer exerc√≠cio ou qualquer intensidade que vai ajudar na preven√ß√£o da lombalgia. Na realidade existem exerc√≠cios que aumentam a chance e at√© pioram quadros de lombalgia ou lombociatalgia. Sendo assim √© recomendada a aten√ß√£o para a pr√°tica e prescri√ß√£o de atividade f√≠sica, seja para tratamento, seja para preven√ß√£o destas dores.‚ÄĚ

 

  • Quais s√£o os tratamentos poss√≠veis para dor lombar?

 

Nahon: “Como se tratam de várias causas para a dor lombar é difícil falar dos possíveis tratamentos de cada uma das causas. Podemos pensar que, quando a causa é uma doença específica (tumor, por exemplo) a terapêutica é baseada em tratamento sintomático e o foco na cura da causa básica. Em casos mais comuns de lombalgia, principalmente sem irradiação e sem doença associada, o tratamento está na diminuição da dor e recuperação da musculatura.

Mesmo que possa ser necess√°rio o uso de medica√ß√£o, √© importante lembrarmos que medidas f√≠sicas s√£o muitas vezes mais ¬†eficazes para o tratamento.‚ÄĚ

 

  • A atividade f√≠sica pode ajudar? Existem atividades que s√£o mais recomendadas para o grupo de pessoas que tem essa dor?

 

Nahon: “A atividade física, se bem indicada pode ajudar no tratamento e principalmente na prevenção da dor lombar.

No caso da prevenção, resumidamente, os exercícios do CORE são os mais indicados.

Existem diferentes protocolos para a prevenção e, na verdade, cada protocolo tem relação com o tipo de atividade que o praticante realiza e com que nível de aptidão ele está.

Mais importante do que sabermos o que devemos fazer, é importante sabermos o que não devemos fazer. Isso quer dizer que quando o paciente tem um quadro de dor lombar, irradiada ou não, a causa tem que ser identificada.

A raz√£o √© que a recomenda√ß√£o de uma atividade para uma causa pode ser contra-indicada para uma outra causa diferente, com sintomas, inicialmente parecidos.‚ÄĚ

 

  • Que tipo de cuidados um paciente com essa dor deve ter na academia?

 

Nahon: ‚ÄúComo disse acima, a generaliza√ß√£o √© dif√≠cil, visto a grande possibilidade de causas. Mas, o cuidado que sempre deve ser tomado √© o exerc√≠cio com orienta√ß√£o. Sem orienta√ß√£o √© poss√≠vel que um exerc√≠cio no lugar de prevenir possa causar ou agravar um problema pr√©-existente.‚ÄĚ

Al√©m disso, a aten√ß√£o e busca por h√°bitos cada vez mais saud√°veis nos dar√£o uma quantidade de vida com mais sa√ļde, menos dores e muito mais alegria!

Sorria e mantenha-se em movimento.

Um grande abraço e bons ventos.

@MauroChasilew

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