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Determinações de Anos Novos

Todos os anos fazemos nossas promessas para o novo ciclo que se inicia.

Fiquei pensando em votos que sirvam para sempre, que funcionem quase como mantras pessoais que podem ser renovados a cada dia, a cada instante e não apenas anualmente.

Aproveito citar alguns desses votos e contar “causos”.

O primeiro deles, é a GRATIDÃO. Analise que para o bem e para o mal, tudo que passamos até hoje nos trouxe até esse exato momento. A pessoa que nos tornamos é fruto de nossa interação com as pessoas, com o meio em que vivemos e com o impacto que essas relações e vivências nos causam. E veja como os acontecimentos parecem interligados e com efeito dominó.

Anatolio e Etel. Sheila, Ilana e Josef. Chris, David e a Estrelinha que ilumina e direciona nossas vidas. O poder da família. Onde quase tudo começa.

ATIVIDADE FÍSICA é o bordão da moda. Aliás, deveria estar sempre na moda. O mundo moderno nos deixa cada vez mais acomodados e preguiçosos. Estamos vivendo cada vez mais com cada vez menos qualidade de vida. A atividade física aliada a uma boa alimentação nos prepara para uma rotina e velhice mais vigorosa, ativa e bem humorada.

O Renato Meireles foi meu professor de Treinamento Desportivo na Faculdade. Um dos melhores que tive. Depois, me convidou para substituí-lo como Personal e para trabalhar com Vôlei em uma escolinha da Ana, sua esposa. Anos depois de formado, recebo uma ligação do Renato para dizer que tinha me indicado para trabalhar com a Adriana Behar e Shelda, do Vôlei de Praia. Como resultado dessa indicação, tive a oportunidade de ir com elas para as Olimpíadas de Sidney, onde fomos vice-campeões.

Descobrimos depois que meu pai tinha empregado um irmão do Renato há tempos atrás. Para quem gosta das coincidências… Eu prefiro chamar de sincronicidade.

Quando comecei a correr as Ultramaratonas e Corridas de Aventura, encontrei mais uma vez o Renato na BodyTech e ele começou a me treinar. Vem me treinando até hoje e se transformou em um grande amigo. Nosso projeto é que eu possa continuar praticando as atividades que gosto, por prazo indeterminado.

Outro quesito fundamental é um ensinamento das principais religiões. FAÇA SEMPRE O SEU MELHOR. Não importa o que estiver fazendo. Esta ação te faz subir de patamar. E te leva mais longe.

O Toscano é um grande exemplo e inspiração para nós. Do alto do seus setenta e tantos anos, vemos um velho cada vez mais novo. Nos diz que envelhecer é para todos, mas que ficar velho é uma escolha pessoal. E quando ficamos impressionados com a quantidade de coisas que fez e faz – mergulha, joga tênis, toca piano, surfa, pedala, rema, dá cursos e palestras e mais um monte de coisas… Ele simplesmente responde que é porque está há mais tempo que nós na estrada. Simples assim.

VER E REVER OS AMIGOS. A amizade e as boas recordações são importantes ferramentas no combate ao baixo astral e à depressão. Essas lembranças nos catapultam para as molecagens de infância e nos deixam com um sorriso nos lábios. Aliás, SORRIR MAIS é outra importante determinação.

Irmãos de infância, como o Bruneca, que se tornou um amante das viagens e corridas ao redor do mundo e que leva amigos para umas e outras provas. Um cara que pratica o valor das verdadeiras amizades e não esquece de onde veio. Além dos lugares de turismo tradicional, faz questão da parte cultural das viagens. Memória de elefante e diversão garantida!

Também tem os amigos de colégio, que continuam amigos até hoje. Como o Momô, que me acompanhou em minha primeira Ultramaratona, a Brazil135, com 217km. Ao final da prova ele me diz a seguinte pérola:

Momô: Cara… Quero correr essa prova!

Eu: Não seja ridículo Momô! Você nunca correu nada!

Momô: Cara… Nasci para ser Ultra!

Com essa resposta, caí no chão me contorcendo de tanto rir. Pois bem, Momô aplicou para correr a prova. E foi aceito.

Correu, completou e chegou sorrindo, com uma bandeira do Brasil, homenageando a filha Bruna que estava por chegar. Aliás, me honrou com o convite para ser padrinho da Bruna.

AJUDAR O OUTRO é outra máxima das religiões. As Corridas de Aventura e Ultramaratonas acabam sendo ambientes férteis para essa prática. Na Corrida de Aventura, temos que ficar atentos para manter a equipe coesa. Assim o cuidado com o outro é fundamental, pois se uma pessoa do time quebrar, a equipe toda quebra. Já nas Ultramaratonas, auxiliar outros corredores é uma prática mais que comum. Aliás, esse foi um dos fatores que mais me impressionou nessa modalidade esportiva e que acho que a torna tão especial.

Mario Lacerda é o idealizador da Brazil135, Ultramaratona de cerca de 220km. A BR foi minha primeira Ultramaratona. O lema é “Ordinary people doing extraordinary things”. Mario e equipe, preocupados com o tema da prostituição infantil, criaram um projeto para a construção de um ginásio em um orfanato para cerca de 100 crianças. Nessa proposta, trataram de engajar a comunidade de corredores para divulgação e coleta de doações.

Já nas provas de Aventura, Klausinho, Adriano, Sergio Marcondes, Larissa, Migalha, João Bandeira, Gabo, Carol, Abelhinha, Thiago Mol, Philipe, Mari, Jean, Fabi e André entre tantos outros me ajudaram e continuam ajudando a ir mais longe. Os limites parecem ilusórios. Apenas pontos de vista.

RENOVAR A FÉ. O que te move? O Kiko e o Pedro resolveram trazer a marca alemã de mochilas Deuter para o Brasil. Pura loucura. Essa loucura deu frutos e após uma altimetria alucinante de problemas e sucessos, conseguiram consagrar a marca no Brasil. Um verdadeiro exercício de fé e trabalho duro fez com que eles virassem referência no mercado outdoor.

Em momentos duros nas provas longas, muitas vezes uma brisa, uma sombra, uma comida, são suficientes para darmos uma boa inspirada e seguirmos em frente, apesar da vontade que às vezes temos de abandonar uma corrida por estarmos tão esgotados. É fundamental termos os motivos corretos para embarcarmos nessas aventuras.

SE MANTER NA CONDIÇÃO DE APRENDIZ faz com que se estejamos sempre atentos e abertos à novas possibilidades e oportunidades. Temos uma tendência a nos mantermos em uma zona de conforto, correndo cada vez menos riscos. Deveríamos tentar aprender coisas novas sempre.

Roberto e Verinha me impressionam pela quantidade de coisas que fazem. E fazem com cuidado e maestria. Estudam os assuntos mais diversos, aparentemente fora de sua atuação profissional.

O Roberto foi fazer meu apoio em uma Ultra, pensando em correr uns 30km comigo. Após 110km, ele me diz: Vou morrer! Respondo que também vou, mas que não será hoje!!!

Desde então, Roberto vem correndo a Brazil135, vivinho da Silva, com a Verinha e Cia. acompanhando suas provas. Apesar de sua bagagem como atleta de remo e médico do esporte, Roberto está sempre avaliando e discutindo novas estratégias de prova.

OUSAR MAIS. Por que não?! O Marcelão era um cliente habitual da On The Rocks que se transformou em sócio em todos os projetos. Em 2009 ele me sugere correr a Badwater, prova considerada a Ultramaratona mais difícil do mundo. Na época, eram cerca de quatro mil currículos enviados e apenas cem aceitos. Pensei que não seria possível. Eu corria Ultras há apenas dois anos… “O não está garantido”, Marcelão me falou. Uma atitude positiva e corajosa do Marcelão iniciou uma bola de neve.

Apliquei e fui aceito. Fomos lá e completamos a corrida. Essa prova nos motivou a seguirmos em frente com outros projetos. Principalmente, o projeto do esporte como projeto de vida.

E é isso que vamos tentando praticar ao longo de todos esses anos. Olhar a vida pelo lado bom, com fé e esperança em dias cada vez melhores, sem deixarmos de fazer o que estiver ao nosso alcance. O sorriso nos lábios a cada prova completada. O caminho tão importante quanto a chegada.

Por fim, deixo uma provocação:

QUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ FEZ ALGO PELA PRIMEIRA VEZ???

Abraços e bons ventos.

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Mauro Chasilew

Mauro Chasilew

Mauro Chasilew, corredor de aventura desde 2003, ultra-maratonista, testador de equipamentos outdoor, é sócio da On the Rocks Aventuras , loja de equipamentos para atividades ao ar livre no Rio de Janeiro. Muita experiência e carisma. Mauro tem o apoio da CamelBak e Columbia e também é o diretor técnico da CamelBak Mountain Race.

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